quinta-feira, 17 de abril de 2014

Agricultura Urbana, um vídeo. Convite para mutirão



Este é o espaço que estamos revitalizando com uma horta urbana principalmente de plantas aromáticas (mas também melíferas, alimentares, medicinais). A maioria dos vizinhos está gostando. Todo mundo agora tem assunto mais agradável pra falar além daquele chato que parecia ser o único ponto em comum entre vizinhos, que é a segurança. E, sem fugir do tema que mais estressa as pessoas nas cidades grandes, cuidar dos espaços públicos deixa a cidade mais segura e a gente menos estressada.  

Hoje, quinta-feira,  vamos nos reunir à tarde, depois das três (esquina da rua João Tibiriçá com Barão de Itaúna, perto da Estação de trem Domingos de Morais e praça Ângelo Rivetti, na City Lapa). Ainda não conseguimos nos organizar para ter uma programação prévia, um calendário. É mais quando eu e minha vizinha podemos e por isto o convite de última hora. Mas quem estiver de bobeira e quiser vir participar,  temos muitas mudas pra plantar e já não consigo nem mais andar no meu quintal (tenho feito mudas a partir das minhas plantas). Será um prazer.   

Segunda-feira, prometo, volto a falar de comida. Vou criar um blog só para a horta e assuntos correlatos. Por enquanto, veja que bacana este vídeo. 

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Mais Salvador. Pousada Boqueirão

Pois é, andei sumida. Fui fazer um curso de dois dias em Piracaia, oferecido pelo Senar, sobre manejo de formigas saúvas, como aquelas servidas pelo Alex Atala. Elas estão no nosso sítio por todos os lados e as cabeças espremidas rescendem a capim limão e citronela e fazem ótimo tempero. Mas quis aprender tudo sobre elas não para criar e oferece-las a restaurantes (bem que podia), ou só pra comer içás - içá é a saúva recheada de ovos fabricada para virar rainha de um novo formigueiro caso a deixemos se aprofundar na terra em vez de comê-las depois da revoada. Por favor, vamos comer içás. É um bom controle das formigas cortadeiras. Só quis aprender tudo para saber como desarticular o inimigo que tem dificultado nossa tarefa de repovoar de plantas o sítio. Mas deixemos as formigas para outro post e fiquemos aqui só com estas últimas fotos da minha estadia pela Bahia. 

Antes de vir embora, passei rapidinho na pousada da italiana Fernanda Cabrini, lider do Slow Food de Salvador. Fomos lá, minha amiga Silvia Lopes e eu, para conhecer o espaço e encontrar com o casal de amigos Marcelo e Janaína, também do Slow Food.  A pousada Boqueirão é mais frequentada mais por estrangeiros, fica a poucos metros do Pelourinho, no centro histórico, e ocupa um prédio antigo todo reformado com vista estupenda para o mar e coberto de muito verde e flores coloridas. Na decoração, muito artesanato baiano, muitas panelas de barro, peças decorativas e utilitárias feitas por artistas locais, além de ingredientes de agricultura familiar e produtores orgânicos. Fernanda muitas vezes viaja para comprar determinado produto e, claro, aproveita cada viagem para trazer o que encontra de especial. Não conhecemos os quartos nem provamos o café da manhã, que tem a maior fama de excelência, mas enquanto esperávamos Fernanda que vinha chegando de uma expedição também à caatinga (com a mala cheia), companhamos a cozinheira Graça fazendo o bolo para o dia seguinte. A cozinha é linda, toda organizada, limpa, com frutas frescas. Tudo condizente com a beleza da cozinheira. Saí de lá com presentes da Fernanda e do casal e com vontade de estar lá no outro dia pra comer aquele bolo de maçãs batido com tanto esmero. 

Aqui, algumas fotos e o site da pousada: http://www.pousadaboqueirao.com.br/



Graça, a cozinheira


Janaína, Marcelo, Fernanda e eu

Adorei a ideia do porta bandejas

domingo, 13 de abril de 2014

Salvador nas ruas

Sempre que vou a Salvador, me fica a impressão de que soteropolitanos comem melhor que nós. A abundância de frutas, legumes, amendoins cozidos, milho e mandioca, nas ruas é tanta que, junto com acarajés, tapiocas e abarás, esta imagem pode nos induzir ao erro de pensar que em Salvador se come muito bem e saudável.  Mas, pelo menos nas casas de Salvador por onde já passei, vejo mesmo sempre muito suco de frutas, raízes, legumes e frutas à mesa no café da manhã e na hora da sopa, no jantar. Sim, o jantar tradicional inclui sempre uma sopa além de bolos, pães, aipim, batata-doce e outros itens de lanche ou de almoço. Eu adoro este tipo de refeição com aquela sopa que não tem nada de ralo consomê, não. É sopa substanciosa, com macarrão, carne, legumes, uma delícia.  Quanto ao acarajé e abará, não são pratos pra se fazer em casa. O que se faz é comprar e levar pra casa de vez em quando. Agora, tapioca e cuscuz sempre tem. Claro, isto tudo são só impressões de uma viajante com olhos viciados para as cores de comer e sempre bem recebida por amigos que comem assim diariamente de verdade. Que todos comam assim fica por conta do meu desejo e fantasia.  

Aqui, as fotos de frutas são da banca que fica na esquina da Avenida Antônio Carlos Magalhães com Rua Anísio Teixeiras. As cestas são todas lindamente forradas com folhas de amendoeira ou sete-copas, abundante por lá.  Mas há muitas outras não só em Salvador mas nas cidades próximas.

Amendoim cozido

Umbu

Fruta pão

Umbus e seriguelas

abacates

Acerola

cajamanga

cajus

caquis

jenipapos

pinhas

taperebás

mangas numa outra esquina 

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Cenas de Uauá - BA

Mãos da Sanária e maxixe que comemos no almoço
Quem acompanha de longa data a novelinha Come-se já conhece seus personagens e minhas andanças. De Uauá, já falei inúmeras vezes. Se não sabe nada do lugar e quiser ver outras postagens, perca-se na imensa caatinga clicando aqui.

Se já não aguenta mais ouvir falar de Uauá, veja só as fotos que fiz desta vez.

Vatapá da Nenê

Xinxim de galinhas (estas comidas não são do dia-a-dia, fizeram pra nós)
Carnes de bode secas num espaço da feira
A feira na segunda é um acontecimento

Dia de feira equivale quase a um feriado - tem gente que prefere trabalhar
no sábado para ter o dia da feira livre 
Batata doce na feira 

É tempo de jenipapo
Abóboras

Fim de feira

Frutos locais: acerola, licuri, pinha, manga

Não lembra o ônibus da CMTC de São Paulo na gestão da Erundina? (as
ruínas são de 1924 - não há mais quase nenhuma construção histórica
na cidade
São João Batista na frente da Igreja com pé de mandacaru em frutos

Encontrei montado este resuminho da Caatinga
Um vendinha em Caratacá, vilarejo próximo

Venda da dona Ditinha em Uauá
Igreja de Uauá
Eu toda estropiada depois de ficar duas horas ariada na caatinga
Caga-sebo mimetizado
Banho econômico e divertido do Juanzinho

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Cenas de Canudos

Nem parece, mas este açude fica em plena caatinga. Até parece que o sertanejo está melhor servido em água que nós, a julgar pelas imagens das represas do sistema Cantareira, que fornece parte de nossa água, no lodo. Mas no sertão a coisa é sempre mais grave e esta represa está tão baixa que deixa à mostra as ruínas de Canudos.  Para quem não conhece a história de uma das guerras mais sangrenta, dantesca e desigual da nossa história, veja aqui e ali.  E também mostrei o tamanho da bala naquele post

Esta foi a terceira vez que visitei o parque estadual, que abriga uma parte do território onde se deram as batalhas. A primeira delas aconteceu em Uauá, onde eu estava hospedada, a alguns quilômetros dali, no caminho para Juazeiro.   Das outras vezes visitei apenas o parque, mal cuidado e mal sinalizado, por sinal.  Antes, ainda havia informativos para o visitante e painéis explicativos nos pontos de parada.  Agora estava com Jussara, as crianças e as amigas Fátima, do Acre, e Ligia Poggio, da Itália. Elas, que não conheciam o parque, saíram sem saber muito além do que eu e Jussara pudemos contar.   O descaso com nossa história continua quando resolvemos dar a volta por Bendegó e visitarmos o outro lado do açude, onde fica Canudos Velha - o vilarejo foi construído com remanescentes de Belo Monte, que foi totalmente destruída quando chegou a ter 25 mil habitantes, seguidores de Antônio Conselheiro. Mas ninguém ali gosta muito de falar do passado.  Que os descendentes culpem os monarquistas, Antônio Conselheiro ou o exército pela perda de seus antepassados, tudo bem. Agora,  que o poder público tente apagar um pedaço da nossa história isto é vergonhoso. Não há placa em nada, não há proteção ao que restou e não há sinalização suficiente para turista chegar até ali. 

A barragem construída naquele vale nos anos 1950, segundo dizem muitos baianos daquele pedaço da Caatinga, teve mesmo o intuito de afogar de vez qualquer lembrança daquele passado sombrio e vergonhoso. O açude de Cocorobó encobriu as ruínas, mas algumas estão ali abertas e sujeitas aos efeitos do tempo e do descaso. E, na estiagem, o que estava totalmente submerso aparece, como o grande arco do portal da igreja - destruída, certamente por uma daquelas balas de canhão.  Nas vezes anteriores não dava pra ver as ruínas. Isto significa que a seca neste ano está ainda pior. 

Tão pouco turista aparece por ali que, no restaurante onde paramos para comer peixe frito, todo mundo queria saber de onde éramos, o que fazíamos e quem era o que de quem, numa curiosidade agradável de puxar conversa que não fugimos de responder. 

Aqui, algumas fotos. 

A doce Joaninha do sertão
Restos de tijolos da vila destruída 
Joaninha, Juan e Lia
Quando a represa está cheia, nada se vê 
O pé de um cruzeiro? Este, fora da represa, sem placa, sem nada 
As ruínas vistas do alto do parque estadual de Canudos
Joaninha, Juan e Lia
Tilápia da represa