sexta-feira, 24 de junho de 2016

Aquela sua waffle maker ...

Waffle de verdade gosto de fazer na lenha. Faz um tempão que não uso minhas formas de ferro que se encaixam na bola do fogão de lenha. Mas tenho também uma forma elétrica que paguei 10 pilas num brechó e ultimamente tenho feito bom  proveito dela. Tudo ali, menos waffle. Outro dia mostrei rodelas de berinjela. As de hoje, cortei de comprido e o tempero, a gosto.

Mostro aqui outros vegetais e até o beiju de massa de mandioca que ficou delicioso - com coco fresco, um pouco de açúcar e erva-doce, como comi no Marajó.

Os quiabos e as berinjelas são meus preferidos e as pimentas também ficam lindas. Quando tiver algo úmido, pegajoso, doce, é só isolar as chapas com folhas de bananeira ou de amendoeira. E nhac!



Meu livro chegou! Mesa Farta no Semiárido

Não sei se já sabe, mas agora tenho um livro pra chamar de meu. Não é exatamente um livro autoral porque foi encomendado e fiz de acordo com os objetivos de quem me contratou, a Coopercuc, cooperativa de Uauá-BA a quem devo muita gratidão pela oportunidade de mostrar um pouco do meu trabalho para merendeiras, nutricionistas e produtoras rurais. O projeto teve apoio do Programa Semear com financiamento de órgãos internacionais (FIDA/IICA/AECID). A maioria das receitas do livro são do blog, mas tem também aquelas que fiz especialmente para as oficinas com as merendeiras usando os produtos locais. A ideia é mostrar como os produtos cultivados atualmente no Semiárido podem ser preparados,  incentivando assim o uso deles na merenda escolar e na casa dos agricultores.  São receitas simples, saudáveis, com o mínimo de ingredientes processados que atendam não só adultos mas crianças pequenas e em idade escolar. 

Infelizmente não está à venda - foi feito para ser distribuído gratuitamente para o público alvo, escolas, instituições, mas a Coopercuc estuda a possibilidade de venda. Quem sabe se houver bastante demanda, a segunda edição para venda não aconteça mais rapidamente. Então, se tiver vontade de ter o livro, escreva para a Cooperativa manifestando seu interesse: 
Coopercuc: jussara@coopercuc.com.br

Independente disso, logo teremos link para baixar o livro em pdf no site da cooperativa: www.coopercuc.com.br/

As mulheres da oficina em Caraças, Itaoca, no Vale do Ribeira gostaram do
livro pois muitos produtos da agricultura familiar são os mesmos no Brasil
inteiro e o gosto pela cozinha, idem. 






quinta-feira, 23 de junho de 2016

Artigo da Ana Sachs

Castanha do Maranhão. Foto: Ana Sachs

Lindo artigo da Ana Sachs no site da São Paulo Saudável.  Clique aqui.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Oficinas de culinária no Vale do Ribeira


Na semana passada estive dando oficina de culinária no Vale do Ribeira, uma atividade promovida pela Sof - Sempreviva Organização Feminista com mulheres agricultoras atendidas pelo programa de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER). O  programa foi criado pela organização em 2015 para apoiar a cadeia de produção e consumo de alimentos. E aí entra minha parte: o autoconsumo.

A Quitandoca, que vende aqui em São Paulo, no bairro de Pinheiros, produtos  agroecológicos da agricultura familiar do Vale do Ribeira, também estava presente com Gabriela e Janaína que ajudaram bastante na oficina desde o momento em que colhemos flores de mamão na estrada. Vivian, agrônoma que foi minha professora numa curso de horticultura orgânica e virou amiga, e trabalha para a Sof na parte de agricultura do programa, era quem estava à frente e conhecia os caminhos para chegar ao Quilombo Cangume e ao bairro rural do Caraças, ambos no município de Itaoca. 



A casa de pau-a-pique onde aconteceu a roda de conversa. 


Dona Antônia colocando o feijão no fogo pra janta. 

Ao Quilombo chegamos já de tardinha. O lugar é lindo e fica no alto de uma região bem montanhosa.  Nos alojamos numa casinha de pau-a-pique onde Dona Antônia cozinhava o feijão no fogão de lenha. Aos poucos foram chegando as mulheres e se abancando onde havia espaço. O pilão centenário virado de ponta cabeça era um dos bancos. A roda de conversa girou em torno do tema comida, é claro. Mas o que eu queria provocar era uma discussão sobre o que comíamos no passado e não comemos mais. Porque na época da necessidade havia cará, inhame, mamão verde, batata doce e agora, segundo eles próprios, a criançada e os mais jovens não querem mais comer estas coisas?  E elas mesmas foram refletindo sobre isso. Uma das mulheres resumiu: "Antigamente a gente tinha de tudo nas roças e achava que não tinha nada. Mas indo pra cidade e olhando pra trás a gente vê que havia fartura. A gente só não tinha aquilo que o povo da cidade tinha".  Pois é, alimentos industrializados estão por toda parte modificando hábitos. 

Vista do Quilombo Cangume ao longe 

O campinho do Quilombo
Uma particularidade neste lugar é que os porcos são criados soltos como galinhas e as roças precisam estar longe - algumas estão a uma hora de caminhada. Perguntei se não era mais fácil manter os  porcos presos e a resposta foi gourmet: se ficam confinados a carne não fica boa, não. 

Cada um arrumou um cantinho pra sentar. E dona Antônia contou histórias

Como do Pilão que o pai fez pra mãe na época do casamento 

Apesar do frio que castiga plantas, havia uma hortinha cercada com alguns temperos e remédios. Cordão de frade pra febre, cataflam (boldinho) pra gripe etc. Do mato chegam casca d´anta pra ficar forte e temperar sopa de mandioca.   Ao pilão de temperos, casca d´anta, pimenta, sal, alho e ... sazon. Mamão verde que comiam antes, dizem que parece batata, mas os mais jovens já não comem d iguaria.  Enfim, este papo iria longe se a noite e o frio não chegassem tão cedo. No outro dia, oficina no bairro rural de Caraças. 

Gabriela e Janaína ajudando na colheita de flores de mamão

Urucum 

Logo na estrada chegando a Caraças já fomos vendo muitas culturas comestíveis. Urucum, mamão verde. Aliás, paramos o carro e lá fomos colher flores de mamão macho que ficam gostosas (e amargas!) em refogados. 

A estradinha por onde andamos para colher nossos ingredientes

Caminhada de aprendizado 
Duda escolhendo feijão
Na entrada do bairro, uma igreja, o salão, as casas todas perto umas das outras assim como são as relações de parentesco e amizade por ali. As mulheres foram chegando. Irmã de uma, comadre da  outra, prima do marido, madrinha da filha, afilhada da mãe e assim são aquelas mulheres que, antes de correr pra oficina, dão comida aos filhos que vão a escola, deixam o feijão escolhido, adiantam a farinhada de amanhã e deixam a marmita pronta pro marido.  Ainda sobra tempo para andar pela estradinha de terra pra nos mostrar o que nasce ali espontaneamente de comida e remédio e também o que cultivam. 

As bananas da casa da Regina

Nossa colheita 

Procurando pimenta cumari

Colhendo mandioca 
Fomos colhendo corações de banana, mamão verde,  pimentinhas, mandioca, folhas de batata doce, beldroegas, temperos. E ainda fomos ver o rio de águas frias e limpas. Voltamos para a casa da Regina onde um tucano que come banana amarrada ao mamoeiro carregado nem se intimidou com nossa presença e em cuja cozinha o fogão de lenha já crepitava a espera das panelas. 

Nossa colheita do dia para a oficina 


Pimentas 

Flores do coração da bananeira 
Depois de uma conversa, não precisei dar atividade pra ninguém. Elas mesmas já escoladas na arte de se ajudar (no bairro há muitas atividades coletivas) foram adiantando o que já sabiam - descascando cebolas, ralando mamão verde, separando as flores do coração de banana. Logo estava tudo pronto à mesa. Elas estavam falantes, alegres, confiantes.  Eu nem sabia o que faria e o que encontraria para a oficina mas acabou como um momento de trocas e aprendizado dos dois lados - espero. 
Bastava dizer bijajica pra todo mundo cair na gargalhada 

Elas gostaram do meu livro - que fiz pra Coopercuc

Tanto no Cangume como no Caraças deixei também um pouco de levain (a isca do fermento natural) e já fiquei sabendo que pelo menos no Caraças já sairam duas fornadas de pão ao levain. 

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Mesa posta 
Flores de mamão - eu adorei, mas é um prato amargo 


 

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Pancnacity de 6 de junho de 2016. Comemos até formigas!

Para quem está chegando aqui agora, Pancnacity é um passeio de reconhecimento de plantas alimentícias não convencionais no bairro City Lapa, em São Paulo organizado por mim duas vezes por mês - sempre no primeiro sábado e primeira segunda-feira. Quem tiver interesse, não deixe comentário aqui, mas escreva diretamente para o meu email: neide.rigo@gmail.com. Na caixa de busca aí do lado, se digitar pancnacity, vai encontrar vários posts sobre as andanças anteriores.

Por ora, antes que chegue o próximo passeio, deixo aqui a fotos do último, com presenças amigas como Ana Luíza Trajano, Neka Mena Barreto, e Marle Alvarenga. Amigos ou não, todos acabam se aproximando - já que minha casa é pequena e o andar a pé tem dessas coisas, as pessoas vão se conhecendo.

As fotos estão todas misturadas. Tem aqui fotos minhas, da Ana Luíza Trajano e da Marle Alvarenga. Muito agradecida, meninas! E é interessante notar como outros olhares capturam momentos, objetos e movimentos diferentes.  Misturados também são os ingredientes pancs do almoço. Espécies colhidas se juntam às pancs de casa, ganhadas, congeladas, colhidas no quintal ou no sítio. E até banc (bicho alimentício não convencional ..) teve. As formigas içás ou tanajuras que vieram do sítio e estavam congeladas deram mais crocância à farofa e muito assunto entre a turma. Foi divertido.

Castanha-do-maranhão e amendoim de árvore. As castanhas são deliciosas
mesmo cruas. E germinam facilmente


Uvarana da praça - dá um palmito comestível 
Dente-de-leão
Mentruz rasteiro 

Sob o pé de caferana 
Tem alguém guardando sementes...  Neka adorou a castanha-do-maranhão
Na horta comunitária
Por sorte havia chovido e colhemos cogumelos
orelha-de-judeu
Monstera deliciosa - pena que ainda verde
Um pé cortado de tamarindo. Sorte que as folhas são
comestíveis
Feijão espada colhido no sítio. As vagens e os feijões foram pra panela
Endro silvestre. Substitui até a salsa 
A turma 
Pancs de casa 
A colheita 
Lili, grande amiga e ajudante
Água aromatizada com huacatay e chá com a mesma erva e capim santo
Nada como uma banqueteira pra ajudar

Caxi no leite de coco 

O feijão espada 
Vagem verde de feijão espada com cúrcuma e coentro

Manoela com a formiga. Nhac!
Pão de abóbora com beterraba 
Bora comer! 
Cogumelo orelha-de-judeu com misso, limão, sal, açúcar e gergelim 
Salada de rúcula com folhas de hibisco e pétalas de malvavisco 
Flores do coração da banana no leite e gratinadas 
Tipos de folhas de batata doce, todas comestíveis 

Detalhe da minha cozinha. Foto da Marle 
No fim, todos levam mães de kombuchá, grãos de tibico, kefir e isca de levain