quinta-feira, 24 de abril de 2014

Blog da horta comunitária city lapa

Em dia de mutirão não pode faltar chá e bolo 
Bem, agora já tenho outro espaço para falar do projeto da horta comunitária da minha rua. É o www.hortacitylapa.blogspot.com.br, caso queira acompanhar. O acesso pode ser via Come-se aí do lado, no Some-se.


Ervas frescas. Um outro jeito de guardar


Já mostrei aqui e acolá jeitos de conservar ervas. Ultimamente, porém, trago ervas do sítio e não faço nada mais que lavar, escorrer e colocar dentro de um vidro com tampa. Trago assim e assim permanece durante vários dias, sempre fresquinhas pois não amassam e não perdem umidade. O microclima criado com o resíduo da água e a própria umidade das folhas garantem vida longa. Pelo menos uma semana aguentam muito frescas. Estas das fotos têm cinco dias e parecem que acabaram de ser colhidas.  Para comparar, coloquei uma parte da hortelã na água. E olhe que cortei os talinhos para que ficassem sempre frescos, hidratei algumas vezes as folhas, mergulhando-as na água, como já mostrei aqui, e ainda assim, com o tempo seco, elas não resistiram. Pronto, foram pras minhocas.  As do vidro, salsa, hortelã e manjericão, vou continuar usando.  Só não soque muita erva. E, claro, não ouse colocar dentro do vidro um maço de salsa com os talos amarrados com fio plástico (ou não). Não há erva que resista a tanta tortura. Solte o maço, jogue fora a folhas estragadas e murchas, lave as ervas, escorra bem e aí sim coloque no vidro, que pode ser tapado e deixado na geladeira. É também um ótimo meio de transporte. 

Guarde o vidro deitado 


Ou em pé, não importa. Olhe o estado da hortelã testemunha


Quando quer usar a erva, é só tirar 

E escolher 

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Mandacaru é nosso, ao vosso reino nada

Mandacaru plantado em Piracaia - SP
Mandacaru de Uauá - BA
Com a recente estiagem aqui no sudeste, o melhor que tenho a fazer é começar a plantar espécies do semi árido. No sítio temos um pedaço onde começaram a se concentrar cactos que estão indo todos muito bem. Recentemente me deparei com este fruto da foto, igualzinho ao que fotografei lá em Uauá - BA.  Não cheguei a comê-lo. Deixei para os pássaros.

Já falei do mandacaru neste post:  http://come-se.blogspot.com.br/2011/01/resposta-charada-fruto-do-mandacaru.html. E não vou ficar me repetindo.

Plantação de cacto sem espinhos em Canudos - BA
O que não conhecia naquela época era o cacto sem espinho, uma versão encontrada naturalmente em alguns lugares e que agora a Embrapa selecionou, melhorou e está começando a disseminar pelo sertão. Uma grande vantagem para uma planta de difícil manejo como é a variedade espinhosa. Este sem espinho pode ser cultivado com facilidade, melhorando a qualidade da alimentação dos animais e assim preservando a caatinga e os cactos nativos. Em Uauá e região, já há alguns produtores. Os frutos são comidos mas não representam grande interesse. A parte de interesse é mesmo o cacto inteiro, que vai quase todo para a alimentação animal, mas também é usado localmente em produtos cosméticos.

Agora, quando você vir por aí produtos de beleza e perfumes de marca famosa à base de mandacaru, não se iluda. Desconfie como Riobaldo. A julgar pela quantidade que uma empresa francesa conhecida compra da Coopercuc, em Uauá, que é tão pouca, se de fato a polpa entra na composição dos produtos, para justificar a propaganda do rótulo e da campanha publicitária, ela não será mais que um grão de areia no sertão nordestino. E, dizer que uma porcentagem da venda do produto volta para a comunidade da caatinga como contrapartida pela exploração do nome do bioma e da planta-símbolo, também é balela - doze reais foi, por exemplo, o que a famosa empresa francesa pagou à Coopercuc no ano passado referente a esta tal de porcentagem anual para investir em projetos da comunidade. Doze reais num ano!  Mas, ah, sim, tem o valor da venda dos mandacarus, você poderá argumentar. Pois saiba que esta cooperativa vendeu num ano (e não se tem notícias de que tenham comprado de outros produtores da caatinga) nada mais que um tronco de cacto a preço de mercado. Não sei quando custa  um dedo de cacto, mas não será muito mais que a tal da contrapartida social. Não ia dizer isto, mas já disse e, pronto, falei. É só pra gente ficar atenta quando quer dar a maior força a uma empresa que diz que tal projeto beneficia esta ou aquela instituição, uma comunidade, este ou aquele "pequeno produtor" (aliás, o que tem de gente ou empresa louca para se atracar a um pequeno produtor para poder chamá-lo de seu, já reparou?).  Mais que saber a porcentagem - não quer dizer muita coisa quando sobre a qual podem incidir taxas não entendemos do que se trata -, temos que saber efetivamente quanto de dinheiro isto representa.

O mandacaru de espinhos domina a paisagem em certos trechos da
caatinga


terça-feira, 22 de abril de 2014

Nhoque de fruta pão fermentada

Meio febril
Ela veio de Salvador, daquela banca e saiu do aeroporto até que gelada. Porém, no dia seguinte, a fruta fervia de febre fermentativa. Tratamos, Silvinha, minha amiga baiana, e eu, de cozinha-la logo. A fermentação deu-lhe um leve ácido que equilibrou bastante o sabor já bem doce. Daria para fazer um creme para comer de sobremesa de tanta doçura.
Os pedaços já descascados e desmiolados ficaram imersos em água até
o momento de irem para o vapor 

Nhoc, nhac! 
Mas o planejado era fazer nhoque, ideia que não descartamos mesmo diante da dificuldade de descascar a fruta. Só mudamos o método de cozinhar. Com a fruta mais verde e mais firme teríamos preferido a cocção em meio líquido - uma água levemente salgada que apenas cobrisse os pedaços descascados. Mas os pedaços muito macios foram cozidos no vapor por 15 minutos até que estivessem macios por igual - já que algumas partes não estavam totalmente moles. Passei pelo espremedor de batatas enquanto estava quente. Deixei esfriar e juntei 1 ovo e 1 colher de manteiga à quantidade de 850 g de polpa espremida - foi o que rendeu uma única fruta. Temperei com sal a gosto e uma colher (chá) de noz moscada ralada na hora. Aos poucos fui acrescentando farinha até que conseguisse uma consistência que pudesse manusear. Isto deu mais ou menos 1 xícara. Mais um pouco de farinha usei para polvilhar uma superfície e fazer rolinhos com 1 centímetro de diâmetro. Nisto, uma panela com bastante água já estava a ferver. Faça um teste pra ver se o ponto está bom. Faça uma bolinha e jogue na água quente. Se não se desmanchar, se subir e se manter a textura macia, está bom de farinha. Se não, junte um pouco mais. Silvinha foi cortando os nhoques com uns 2 centímetros de comprimento e eu fui cozinhando aos poucos na água borbulhante. Assim que os nhoques iam subindo à superfície eu fui retirando com escumadeira. Para acompanhá-los, já os esperava um molho de linguiça fresca com tomates  - bem apimentado, que era pra combinar com adocicado da massa. Se ficou bom? Poxa, sou suspeita pra falar, mas não sobrou pra contar história. Ananda ainda levou pra comer no dia seguinte e disse que ele aqueceu bem sem se desformar. De 6 a 8 porções.

Falando um pouco da planta: o pé de fruta pão, Artocarpus altilis, cresce no Sudeste Asiático e em várias ilhas do Pacífico. Por aqui, portanto, é fruta exótica que não teve problema algum de adaptação mas em compensação também  não evoluiu muito gastronomicamente falando, com raras exceções. É uma grande pena esta precária evolução para um vegetal de tantos talentos. Pena também que fatores alheios à nossa vontade não permitam sua produção do Rio de Janeiro pra baixo (ou há produção em São Paulo?).  Eu adoraria ter uma árvore com aquelas folhas pinadas do tamanho de um tronco humano, mas me contento em trazer a fruta de onde a encontro quando viajo. A vantagem é que pode ser cozida e congelada para usar depois.

Ela fermenta muito rapidamente e por isto é usada no Havaí do mesmo modo que usam o taro para fazer poi - um creme fermentado a partir do legume cozido e amassado. No caso da fruta pão, poi ulu, faz-se igual. Talvez por isto, para evitar super-amadurecimento e fermentação, que na Bahia seja costume deixá-la mergulhada em água fria assim que é comprada, até o momento de usar. Bem, a gente não tem muita tradição de uso da fruta pão além dela cozida ainda verdolenga e servida com manteiga, que é a coisa mais deliciosa do mundo. Porém, nos países onde ela cresce com mais abundância e é uma cultura mais antiga, os usos e as técnicas de preparo são tão diversos quanto nossa lida com a mandioca. A fruta verde se usa como legume, sempre cozida. A fruta madura, pouco explorada por aqui, é fruta normal que se usa crua ou cozida como sobremesa ou em cremes, sorvetes e uma infinidade de pratos doces e salgados. Na Jamaíca, por exemplo, come-se a fruta pão sapecada na boca do fogo, como se vê aqui.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Agricultura Urbana, um vídeo. Convite para mutirão



Este é o espaço que estamos revitalizando com uma horta urbana principalmente de plantas aromáticas (mas também melíferas, alimentares, medicinais). A maioria dos vizinhos está gostando. Todo mundo agora tem assunto mais agradável pra falar além daquele chato que parecia ser o único ponto em comum entre vizinhos, que é a segurança. E, sem fugir do tema que mais estressa as pessoas nas cidades grandes, cuidar dos espaços públicos deixa a cidade mais segura e a gente menos estressada.  

Hoje, quinta-feira,  vamos nos reunir à tarde, depois das três (esquina da rua João Tibiriçá com Barão de Itaúna, perto da Estação de trem Domingos de Morais e praça Ângelo Rivetti, na City Lapa). Ainda não conseguimos nos organizar para ter uma programação prévia, um calendário. É mais quando eu e minha vizinha podemos e por isto o convite de última hora. Mas quem estiver de bobeira e quiser vir participar,  temos muitas mudas pra plantar e já não consigo nem mais andar no meu quintal (tenho feito mudas a partir das minhas plantas). Será um prazer.   

Segunda-feira, prometo, volto a falar de comida. Vou criar um blog só para a horta e assuntos correlatos. Por enquanto, veja que bacana este vídeo. 

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Mais Salvador. Pousada Boqueirão

Pois é, andei sumida. Fui fazer um curso de dois dias em Piracaia, oferecido pelo Senar, sobre manejo de formigas saúvas, como aquelas servidas pelo Alex Atala. Elas estão no nosso sítio por todos os lados e as cabeças espremidas rescendem a capim limão e citronela e fazem ótimo tempero. Mas quis aprender tudo sobre elas não para criar e oferece-las a restaurantes (bem que podia), ou só pra comer içás - içá é a saúva recheada de ovos fabricada para virar rainha de um novo formigueiro caso a deixemos se aprofundar na terra em vez de comê-las depois da revoada. Por favor, vamos comer içás. É um bom controle das formigas cortadeiras. Só quis aprender tudo para saber como desarticular o inimigo que tem dificultado nossa tarefa de repovoar de plantas o sítio. Mas deixemos as formigas para outro post e fiquemos aqui só com estas últimas fotos da minha estadia pela Bahia. 

Antes de vir embora, passei rapidinho na pousada da italiana Fernanda Cabrini, lider do Slow Food de Salvador. Fomos lá, minha amiga Silvia Lopes e eu, para conhecer o espaço e encontrar com o casal de amigos Marcelo e Janaína, também do Slow Food.  A pousada Boqueirão é mais frequentada mais por estrangeiros, fica a poucos metros do Pelourinho, no centro histórico, e ocupa um prédio antigo todo reformado com vista estupenda para o mar e coberto de muito verde e flores coloridas. Na decoração, muito artesanato baiano, muitas panelas de barro, peças decorativas e utilitárias feitas por artistas locais, além de ingredientes de agricultura familiar e produtores orgânicos. Fernanda muitas vezes viaja para comprar determinado produto e, claro, aproveita cada viagem para trazer o que encontra de especial. Não conhecemos os quartos nem provamos o café da manhã, que tem a maior fama de excelência, mas enquanto esperávamos Fernanda que vinha chegando de uma expedição também à caatinga (com a mala cheia), companhamos a cozinheira Graça fazendo o bolo para o dia seguinte. A cozinha é linda, toda organizada, limpa, com frutas frescas. Tudo condizente com a beleza da cozinheira. Saí de lá com presentes da Fernanda e do casal e com vontade de estar lá no outro dia pra comer aquele bolo de maçãs batido com tanto esmero. 

Aqui, algumas fotos e o site da pousada: http://www.pousadaboqueirao.com.br/



Graça, a cozinheira


Janaína, Marcelo, Fernanda e eu

Adorei a ideia do porta bandejas

domingo, 13 de abril de 2014

Salvador nas ruas

Sempre que vou a Salvador, me fica a impressão de que soteropolitanos comem melhor que nós. A abundância de frutas, legumes, amendoins cozidos, milho e mandioca, nas ruas é tanta que, junto com acarajés, tapiocas e abarás, esta imagem pode nos induzir ao erro de pensar que em Salvador se come muito bem e saudável.  Mas, pelo menos nas casas de Salvador por onde já passei, vejo mesmo sempre muito suco de frutas, raízes, legumes e frutas à mesa no café da manhã e na hora da sopa, no jantar. Sim, o jantar tradicional inclui sempre uma sopa além de bolos, pães, aipim, batata-doce e outros itens de lanche ou de almoço. Eu adoro este tipo de refeição com aquela sopa que não tem nada de ralo consomê, não. É sopa substanciosa, com macarrão, carne, legumes, uma delícia.  Quanto ao acarajé e abará, não são pratos pra se fazer em casa. O que se faz é comprar e levar pra casa de vez em quando. Agora, tapioca e cuscuz sempre tem. Claro, isto tudo são só impressões de uma viajante com olhos viciados para as cores de comer e sempre bem recebida por amigos que comem assim diariamente de verdade. Que todos comam assim fica por conta do meu desejo e fantasia.  

Aqui, as fotos de frutas são da banca que fica na esquina da Avenida Antônio Carlos Magalhães com Rua Anísio Teixeiras. As cestas são todas lindamente forradas com folhas de amendoeira ou sete-copas, abundante por lá.  Mas há muitas outras não só em Salvador mas nas cidades próximas.

Amendoim cozido

Umbu

Fruta pão

Umbus e seriguelas

abacates

Acerola

cajamanga

cajus

caquis

jenipapos

pinhas

taperebás

mangas numa outra esquina 

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Cenas de Uauá - BA

Mãos da Sanária e maxixe que comemos no almoço
Quem acompanha de longa data a novelinha Come-se já conhece seus personagens e minhas andanças. De Uauá, já falei inúmeras vezes. Se não sabe nada do lugar e quiser ver outras postagens, perca-se na imensa caatinga clicando aqui.

Se já não aguenta mais ouvir falar de Uauá, veja só as fotos que fiz desta vez.

Vatapá da Nenê

Xinxim de galinhas (estas comidas não são do dia-a-dia, fizeram pra nós)
Carnes de bode secas num espaço da feira
A feira na segunda é um acontecimento

Dia de feira equivale quase a um feriado - tem gente que prefere trabalhar
no sábado para ter o dia da feira livre 
Batata doce na feira 

É tempo de jenipapo
Abóboras

Fim de feira

Frutos locais: acerola, licuri, pinha, manga

Não lembra o ônibus da CMTC de São Paulo na gestão da Erundina? (as
ruínas são de 1924 - não há mais quase nenhuma construção histórica
na cidade
São João Batista na frente da Igreja com pé de mandacaru em frutos

Encontrei montado este resuminho da Caatinga
Um vendinha em Caratacá, vilarejo próximo

Venda da dona Ditinha em Uauá
Igreja de Uauá
Eu toda estropiada depois de ficar duas horas ariada na caatinga
Caga-sebo mimetizado
Banho econômico e divertido do Juanzinho